Não é novidade para alunos e professores do São Bento o título de melhor escola do Brasil segundo o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Nas seis oportunidades em que o desempenho das escolas foi divulgado, o colégio, localizado junto a um monastério beneditino, no centro do Rio de Janeiro, ficou quatro vezes na melhor posição entre todas as escolas do País. Nas outras duas oportunidades ficou com um terceiro e um quarto lugar.
Os 1.108 meninos - nenhuma menina é permitida na escola desde sua fundação há 153 anos - passam oito horas por dia no colégio. Entram todos os dias às 7h30 para aulas que, além do currículo normal, incluem três línguas estrangeiras obrigatórias (inglês, francês e espanhol) filosofia, sociologia, cultura clássica, história da arte e associação musical. Nesse meio tempo, os meninos, que usam camisa azul e calça social bege de uniforme, fazem dois lanches e um almoço antes de serem liberados às 16h30.
Os professores fazem cinco avaliações obrigatórias ao ano. Segundo a supervisora pedagógica do São Bento, Maria Elisa Penna Firme Pedrosa, um dos fatores para o bom desempenho é o ambiente harmonioso e a dedicação de alunos e professores. Mas a falta de distração com as meninas não contribuiria para uma maior concentração nos estudos?
"Há quem diga que influencia, sim, mas não temos estudo para comprovar isso. Certamente, se houvesse meninas, seríamos uma escola diferente do que somos", afirma a supervisora. Segundo ela, a comunidade e os próprios alunos estão satisfeitos com o modelo. "A maioria das escolas mudou para regime misto após orientação na década de 1970. Acredito que atualmente só o São Bento continua assim. Houve certa acomodação, todos parecem gostar", diz.
Há 24 anos na escola, a professora de português e redação Ana Paula Barros Jorge enxerga vantagens em dar aulas para turmas só de meninos. Segundo ela, que também dá aulas em um outro colégio de turmas mistas, o respeito é maior, assim como a amizade entre os alunos. "A competitividade entre eles é menor. Eles são mais solidários, uma vez que não há meninas para chamar a atenção. Eles também respeitam muito a visão feminina do professor", afirma.
No entanto, ela considera que essa seja apenas uma peculiaridade do colégio. O verdadeiro segredo, para ela, é a dedicação e o interesse dos alunos estimulados pela didática. Apesar de o São Bento ser uma instituição tradicional, ela considera que o ensino está em constante renovação. "Trabalhamos com livros novos, com notícias de jornal. Damos ênfase à atualidade", afirma. A disciplina no colégio envolve assiduidade, pontualidade e respeito aos professores e colegas. O aluno que se atrasar mais de três vezes é suspenso. Agressão física ou verbal a professores, colegas e funcionários não são toleradas.
Mini-vestibular
O São Bento só aceita alunos até o início do ensino médio. Para entrar, os candidatos passam por provas de matemática, português, história, geografia e ciências. A maioria não é selecionada. "A relação candidato/vaga é maior. Se pudéssemos, incluiríamos todos que desejam estar aqui. O desejo é a primeira avaliação", afirma Maria Elisa. Depois de aceito, o aluno passa a pagar a mensalidade de R$ 2 mil, que inclui o custo alimentação.
O São Bento só aceita alunos até o início do ensino médio. Para entrar, os candidatos passam por provas de matemática, português, história, geografia e ciências. A maioria não é selecionada. "A relação candidato/vaga é maior. Se pudéssemos, incluiríamos todos que desejam estar aqui. O desejo é a primeira avaliação", afirma Maria Elisa. Depois de aceito, o aluno passa a pagar a mensalidade de R$ 2 mil, que inclui o custo alimentação.
A escola busca manter o número de 33 alunos por turma para que os estudantes possam prestar melhor atenção nas aulas e também para que os professores possam conhecer a todos e poder avaliar com melhor segurança.
"São muitas possibilidades para o aluno desenvolver suas competências e habilidades acadêmicas. Há cobrança no que se refere ao desempenho, estimulamos os alunos para que coloquem desafios para eles mesmos", afirma a supervisora.
O coordenador do departamento de ensino médio e vestibular do São Bento, Pedro Araújo, diz que não há segredo na receita para os bons resultados. Ele lembra as palavras do ex-reitor do colégio, Dom Tadeu. "Aqui se faz o que nas outras escolas já saiu de moda", dizia o monge beneditino. Segundo Pedro, o que saiu de moda nas demais escolas é o "feijão com arroz", disciplina e investimento, que todos fazem, mas não levam tão a sério.
De acordo com o coordenador, a manutenção do quadro de professores também é um dos ingredientes do São Bento. "Algumas escolas trocam o professor antigo porque ele ganha um maior anuênio. Isso é um absurdo. O professor é penalizado por ser bom profissional", afirma.
O professor de matemática Luiz Braga, 62 anos de idade e mais de 35 anos de casa, concorda. Para ele, o segredo nada mais é do que trabalho intenso. "É só trabalhando que as coisas funcionam", afirma.
Lucas Brandão, 16 anos, quer ser médico e, para ter uma boa base e não ter problema com vestibular, entrou no São Bento este ano para iniciar o ensino médio. "Já pensava nisso, acompanhava os resultados do Enem e vi que o São Bento estava sempre no topo", afirma.
Proveniente de uma escola onde tinha colegas meninas, Lucas diz não sentir diferença na hora da aula e preza pelo acolhimento da instituição. "O colégio nos estimula a focalizar nos estudos. Em relação às meninas, não vejo problemas até porque convivemos com elas lá fora", diz.
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