A destinação da vida se realiza na duração. A evolução é criadora;
“a realidade surge-nos como um jorro ininterrupto de novidades.”
Isto não ocorre sem problemas. Ao contrário, a evolução se produz
por uma diferenciação, divergência e bifurcação. Não se pode
explicar a vida pela adaptação, pois seria explicar a evolução
apenas pelas condições exteriores às quais corresponderia a
plasticidade da vida. Mas, sobretudo, o argumento desenvolvido
com brio por Bergson contra o fato de erigir a adaptação como
princípio da vida é que encontramos os mesmos órgãos sobre
linhas divergentes de evolução. Por exemplo, o olho se encontra
em um molusco, como o pente, e nos vertebrados. Nem as
variações insensíveis, nem as variações bruscas parecem poder
explicá-lo. É preciso supor que um élan original lança a vida em
direções evolutivas divergentes, mas que ele é a causa das
evoluções idênticas sobre os pontos definidos, como a relação com
a luz no caso do olho. (VIEILLARD-BARON, 2007, p. 28).
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